Trabalhadores dos Correios
CEE Santo Amaro: sob a truculência policial
A Polícia Federal e enviados da Empresa arrombaram armários e constrangeram os trabalhadores. Objetivo: aumentar o clima de terror para aumentar a exploração
As buscas nos armários foram feitas sem ordens judiciais específicas e sem a presença dos trabalhadores responsáveis pelos respectivos armários. Inclusive, foram revistados os armários de trabalhadores terceirizados, dos seguranças e de trabalhadores que se encontravam em férias.
A truculência durou desde as 8:30 da manhã até as 11:00. Vários trabalhadores foram conduzidos até o pátio, e, de maneira extremamente constrangedora, foram obrigados a tirarem os sapatos e os bonés.
A Empresa alocou três funcionários do Jaguaré (Cristian, Paulo César e Glauber) para servirem como testemunhas no caso de que alguma “irregularidade” fosse encontrada. O problema é que se trata de um procedimento totalmente irregular e ilegal, além de constituir-se em claro abuso de autoridade e assédio moral. De acordo com a lei, os pertences de nenhum cidadão podem ser revistados pela polícia fora da sua presença.
Cada vez mais, tem aumentado a pressão da Empresa sobre os trabalhadores, com o objetivo de tornar os setores em verdadeiros campos de concentração, verdadeiros matadouros onde se visa extrair o maior lucro a qualquer custo, passando por cima dos direitos mais elementares.
O CEE (Centro de Entregas de Encomendas) Santo Amaro é responsável pela entrega nos bairros de Parelheiros, Grajaú, Interlagos e Santo Amaro. Os atrasos têm sido recorrentes devido à falta de segurança na região, principalmente a ameaça constante dos carteiros de sofrerem sequestro-relâmpago ou serem assaltados.
A Empresa está impulsionando uma campanha contra a “violência” e a “falta de segurança”. Mas o propósito está muito longe de relacionar-se com o bem-estar do trabalhador. Muito pelo contrário.
O verdadeiro objetivo da Empresa: aumentar a repressão contra os trabalhadores
O verdadeiro objetivo da ECT é a tentativa de criar um clima de terror para avançar em cima dos trabalhadores e aumentar a repressão, a vigilância e a exploração. Por que em nenhum momento a Empresa fala em extinguir os serviços que não dizem respeito à atividade fim, por exemplo? Isso sim resolveria boa parte dos problemas trabalhadores.
A escolta armada, por exemplo, defendida por alguns sindicalistas, sob a pressão dos pelegos, não vai resolver o problema dos carteiros. No melhor dos casos, ajudará a preservar seu patrimônio da Empresa e para que o próprio carteiro seja vigiado e controlado. E o que é pior, na hora dos assaltos, os carteiros não usam colete a prova de balas nem carros blindados como os terceirizados da segurança. Moral da história, o risco dos carteiros continua.
Câmeras estão sendo instaladas em quase todos os setores, com o objetivo específico de aumentar o controle sobre os trabalhadores. Essa medida não só não serve para resolver nenhum problema, como representa um ataque direto aos trabalhadores. Medidas, como o SAP, estão sendo reforçadas, sob essa pressão, para aumentar o controle das chefias, a exploração, o assédio e a opressão.
Outras medidas, como as portas giratórias, também têm servido para aumentar o controle sobre os trabalhadores, além de constranger a própria população pobre que utiliza o serviço dos Correios.
Por trás das várias medidas para reprimir os trabalhadores está o crescente sucateamento da Empresa com o objetivo de entrega-la aos abutres capitalistas por meio da privatização. A verdadeira solução para os problemas de segurança passa pela participação dos próprios trabalhadores, por meio de uma organização setorial, como comitês independentes da empresa e das empresas terceirizadas
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