sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

BANCO DO EUA DIZ QUE BUSCA ACORDO COM POSTALIS SOBRE INVESTIMENTOS PREJUDICIAIS



 

Luis Macedo / Câmara dos Deputados Eduardo Adriano Koelle disse que espera uma contraproposta do fundo de pensão dos Correiros, Postalis

O presidente para América Latina e CEO no Brasil do banco BNY Mellon, Eduardo Adriano Koelle, disse nesta quinta-feira (18), em depoimento à CPI dos Fundos de Pensão, que o fundo de pensão dos Correios Postalis recusou em janeiro uma tentativa de acordo para reaver os recursos perdidos com investimentos prejudiciais. O banco norte-americano aguarda uma contraproposta.

Em 2015, o BNY teve R$ 250 milhões retidos pela Justiça para garantir perdas do Postalis. O fundo de pensão pretendia aplicar recursos em títulos da dívida externa brasileira, mas, em 2011, esses papéis foram trocados por bônus argentinos e venezuelanos. O negócio causou prejuízo de R$ 190 milhões.

Segundo Koelle, o BNY nega qualquer envolvimento, alegando que as decisões de investimento cabem ao gestor, o Postalis, e não ao banco, que administrava os recursos. “O BNY era apenas o fiduciário desses investimentos. Não posso fazer julgamento sobre a estratégia de investimentos.”

Negligência
Em dezembro, a CPI dos Fundos de Pensão ouviu, em reunião reservada, dois ex-dirigentes do BNY Mellon. Eles apresentaram aos parlamentares uma carta, na qual relatam negligência do banco nos investimentos do Postalis.

Contradições
O relator da CPI, deputado Sergio Souza (PMDB-PR), apontou contradições entre Koelle e outras testemunhas ouvidas. Ele lembrou ainda que nos Estados Unidos o banco ressarciu prejuízos aos fundos de pensão, em um acordo de US$ 700 milhões, e pediu solução semelhante para o Postalis.

Vice-presidente da CPI, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) também defendeu a devolução de recursos ao Postalis. “Está claro como dia que houve fraude. Queremos que o mesmo procedimento adotado nos Estados Unidos ocorra aqui.”

Responsabilidade solidária

Para o presidente da CPI, Efraim Filho (DEM-PB), o BNY Mellon tem responsabilidade solidária. “Em vários negócios, o banco é gestor e não só administrador fiduciário.” Efraim Filho enfatizou, ainda, que houve omissão do banco em identificar fraudes.

“O ex-presidente do banco Zeca Oliveira esteve aqui e nos entregou documento público afirmando ter ocorrido erro operacional na operação que causou prejuízo ao Postalis, que poderia ter sido evitado se houvesse sido adotado critérios mais rigorosos de controle”, afirmou.


FONTE:http://www.cenariomt.com.br/noticia/505614/banco-dos-eua-diz-que-busca-acordo-com-postalis-sobre-investimentos-prejudiciais.html