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| O presidente do Correios, Carlos Fortner, durante audiência em comissão do Senado, em 17 de maio (Foto: Pedro França / Agência Senado) |
A reestruturação dos Correios, iniciada no ano
passado, passará a prever a criação de "agências móveis" no lugar de
agências físicas e parcerias com empresas de motoboys, afirmou em entrevista ao G1 o
presidente da estatal, Carlos Fortner.
Diante dos resultados negativos nas contas da empresa,
os Correios anunciaram em 2017 algumas medidas de reestruturação, entre as
quais o Plano
de Demissão Voluntária (PDV) e a cobrança
da mensalidade do plano de saúde dos funcionários.
No ano passado, depois de quatro anos de prejuízo, os
Correios registraram lucro. Ao todo, as receitas superaram as
despesas em R$ 667 milhões.
Carlos Fortner se diz contra
a privatização dos Correios e, por isso, a estatal deve
começar a disponibilizar serviços já ofertados pelos concorrentes do setor de
encomendas, como o "porta a porta", em que o carteiro busca a
encomenda na casa do cliente e a entrega no local de destino.
"Existe uma ameaça, sim, de que, se ela [a empresa]
dormir no ponto, ela encolhe", avalia Fortner.
Parceria
Diante disso, a estatal avalia uma parceria a exemplo da
que fez com a empresa área Azul, mas, agora, com uma empresa de
logística terrestre.
A parceria, segundo Forter, poderá permitir, por
exemplo, que o serviço de entrega feito pelo carteiro motorizado passe para
motoboys, reduzindo o custo do serviço.
"Tem empresas que fazem como o Uber, mas de
motoboy. Buscam uma encomenda aqui e levam para o local de destino",
afirmou. "Nessas empresas, o motoboy custa R$ 3 mil – em uma empresa de
esquina, o motoboy custa R$ 1,2 mil. Já o carteiro motorizado dos Correios, com
todos os custos trabalhistas, chega a US$ 3 mil. Custa três vezes mais do que
um concorrente. É competitivo? Não é", disse.
Fortner afirma que, por meio de uma parceria, o carteiro
poderá trabalhar em outra área da empresa, e o serviço de entrega motorizada
ser feito por uma empresa parceira.
Fortner disse que a meta dos Correios é aumentar de 12
mil para 15 mil o número de agências. Mas, segundo ele, parte das agências
físicas deve ser transformada em agências móveis ou modulares.
O presidente da estatal afirma que para ser
economicamente viável, uma agência precisa fazer, em média, 270 atendimentos
diários, mas algumas registram número muito inferior. "Tem agência do
interior que faz cinco atendimentos por dia", diz Fortner.
De acordo com o presidente dos Correios, um estudo
interno apresenta algumas soluções, como a criação de agências móveis ou de
agências que funcionem dentro de algum comércio local, em parceria.
"Essas cidades podem ter agências móveis. A agência
vai lá, para na praça da cidade, atende e o próprio veículo leva para o centro
de tratamento [de correspondências e encomendas]", afirmou.
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| Agência dos Correios em Campo Alegre (AL) (Foto: Reprodução/ Google Street View) |
"Ao lado tem um mercadinho local. Cabe ali você ter
um balcão de atendimento em sinergia com o mercado? Cabe perfeitamente."
O plano em elaboração também poderá sugerir o fechamento
de algumas agências próximas umas das outras. O presidente dos Correios, no
entanto, diz não ter a previsão de quantas agências nesta situação poderiam ser
fechadas.
"Até o fim do ano o projeto [da reestruturação]
deve estar pronto, para começar a implementar no ano que vem", declarou.
Funcionários
Segundo Fortner, servidores que não forem mais
necessários podem ser transferidos para outras áreas dos Correios ou até mesmo
serem cedidos para outros órgãos.
Ele explicou que ainda não há nenhuma conversa oficial
sobre o tema, mas afirma que o INSS tem déficit de 12 mil empregados, por
exemplo.
Os Correios fizeram dois planos de demissão em 2018.
Segundo Fortner, não há previsão de outro plano para este ano.
FONTE:https://g1.globo.com/economia/noticia/reestruturacao-dos-correios-preve-agencias-moveis-e-parceria-com-empresas-de-motoboys-diz-presidente-da-estatal.ghtml


