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| Funcionário dos Correios cruza os braços durante uma manifestação de greve (Agência Brasil) |
Brasília – Com rombo de cerca de R$ 2
bilhões em 2016, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos aposta em um programa de demissões
voluntárias (PDV) – já autorizado pelo Ministério do Planejamento – para melhorar seus números.
Funcionários de carreira da empresa, porém, afirmam que “contratações a peso de
ouro” têm sido feitas nos últimos meses.
Ao Brasília
em Pauta, fontes destacaram a nomeação de uma assessora
especial para o gabinete da Presidência dos Correios. A nova funcionária foi
contratada para a função de analista 13 – o cargo mais bem remunerado entre os
analistas da empresa – com salário de quase R$ 20 mil. De acordo com as fontes,
a funcionária é casada com um dos assessores do senador Sérgio Petecão
(PSD-AC). O presidente dos Correios, Guilherme Campos, também é do PSD.
Também foram citados
outros casos de assessores especiais das vice-presidências dos Correios, que
foram nomeados recentemente e possuem remuneração elevada.
O que vem irritando
os funcionários de carreira da empresa? As contratações mais recentes não
condizem com o plano de reestruturação da companhia. Além do PDV, a estatal
está reduzindo funções, ou seja, rebaixando funcionários de funções com o
objetivo de reduzir gastos. Além disso, a companhia também está deixando de
conceder gratificações, usando a mesma justificativa.
˜Pediram para o Jurídico fazer um estudo se
podem demitir os aposentados sob a alegação de que a empresa está com um
déficit muito elevado”, afirmou uma fonte ao Brasília
em Pauta. “De que adianta cortar gastos de um lado, e contratar
cabides com salários altíssimos de outro?”, questionou.
Outra reclamação dos
funcionários dos Correios foi a contratação da consultoria Accenture para
estabelecer um plano de reestruturação eficiente. Os serviços custarão aos
Correios quase R$ 29 milhões.
˜Os técnicos que já
fazem parte da empresa ficaram à disposição para fazer essa consultoria para
enxugar gastos. A presidência não aceitou˜, disse uma fonte do setor jurídico
da estatal.
Em reunião com
Campos, os funcionários de carreira propuseram que houvesse isonomia nos cortes
salariais. Para eles, “o justo seria que houvesse um acordo para que cada
funcionário desse sua cota de sacrifício“. A direção executiva da estatal não
aceitou a proposta.
Ao blog, os funcionários de carreira não
descartam uma paralisação nas próximas semanas e disseram que estudam solicitar
uma reunião com o presidente Michel Temer (PMDB).
Outro lado
O presidente dos Correios, Guilherme Campos,
afirmou ao Brasília
em Pauta que as
contratações feitas recentemente ocorreram “porque os cargos estavam abertos
para ocupação”. O programa de corte das funções gratificadas dos Correios
não inclui cortes nas funções dos chefes de departamento e gerentes, que
possuem altos salários
De acordo com
Campos, a contratação da Accenture tem como objetivo “arrumar o quadro da
empresa,que está completamente desconfigurado”.
Ele explicou por que
recusou a oferta dos funcionários de carreira de fazerem a reestruturação
internamente. “Se os nomes técnicos da empresa tivessem capacidade, a empresa
não estaria desde 2005 com prejuízo operacional”.
Segundo o presidente
dos Correios, a proposta de isonomia nos cortes salariais não foi aceita,
porque ele considera incorreto colocar “quem produz e quem não produz no mesmo
balaio”. Campos disse que os gestores de cada área ficaram responsáveis por
definir quem sofreria cortes de acordo com a produtividade.
Procurado pelo blog,
o senador Sérgio Petecão não respondeu até a publicação da matéria.
FONTE:http://exame.abril.com.br/blog/brasilia-pauta/com-pdv-correios-contratam-a-peso-de-ouro-presidente-nega/

