sexta-feira, 16 de maio de 2014

Avaliação sobre a PLR

Avaliação sobre a PLR


E vamos lá a mais 1 dos tantos textos já existentes sobre PLR e como advertência comum, é obvio que assumo toda responsabilidade pelas opiniões aqui expressas (como sempre). Dado esse aviso, advirto também que não tenho pretensão alguma de ser superficial na análise sobre a PLR mas também sou limitado ao conhecimento que tenho. O texto vai ser longo e espero não ser cansativo.

A lei 10101 do ano de 2000 fala o seguinte:
Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Então vou aqui ser muito direto: quem não quer discutir pagamentos que envolvam os conceitos de produção, eficiência e principalmente produtividade não tem como discutir PLR. Pautar a discussão de PLR como incentivo ao trabalhador, seja como prêmio por aquilo que produziu ou para melhoria do que vai produzir sem ter metas, é impossível. Tem que ter como ponto de análise a produtividade, qualidade e lucratividade.


Uma proposta de PLR vai avaliar ao menos 2 questões primordiais:
  • Do total de pessoas quantos vão receber e porque irão receber (elegibilidade);
  • Dos que irão receber o que vai definir quanto do total de dinheiro disponível vai para cada pessoa. (distribuição).
A RESOLUÇÃO CCE N° 010, DE 30 DE MAIO DE 1995 que determina e obriga todos os programas estatais de PLR os itens abaixo.

  • I - a origem dos resultados ou lucros que dão margem à proposta de participação;
  • II - o valor total que pretende distribuir;
  • III - os ganhos nos índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa no período, que ensejaram a participação;
  • IV - a avaliação das metas, resultados e prazos pactuados previamente para o período;
  • V - a evolução dos índices de segurança no trabalho;
  • VI - a evolução dos índices de assiduidade;
  • VII - outros critérios e pré-condições definidos de acordo com as características e atividades da empresa estatal.
O ministro do planejamento é hoje o secretário executivo do MP tem autorização para flexionar essas questões mas no geral os programas de PLR apresentados ao DEST - Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais tem de ter esses elementos acima sendo apontados e negociados entre trabalhadores e direção da empresa estatal que detêm ampla e considerável autonomia. Querendo ou não a ECT tem de dar informações de como a PLR tem melhorado a empresa (o que reforça o que eu disse sobre discussão sobre produtividade) mas também responsabiliza a empresa em melhorar outros pontos sensíveis aos trabalhadores (segurança no trabalho).

Daí entramos em ao menos mais 2 elementos que devem existir em todo programa de PLR. Determinar quais os indicadores de dentro da empresa serão avaliados (sejam eles coletivos ou individuais) e quais são as metas a serem alcançadas dentro desses indicadores.
Inclusive, 10 entre 10 escritores da administração afirmam que o trabalhador tem de saber PREVIAMENTE que metas deve alcançar pois não existe lógica alguma em ser avaliado em itens dos quais o empregado não sabia que eram importantes e muito menos sem ter um referencial para determinar os limites de se está indo bem ou mal.

Uma boa meta a ser colocada em um programa de PLR deve ter as características abaixo:
Não vou me ater a esses quesitos pois o texto ficaria imenso (mais do que já é) e o importante é que programas de PLR tem uma intenção diferente da complementação de renda ou de prêmio por executar o trabalho habitual independente de resultados (metas). Programas de PLR premiam alcançar os resultados propostos entre trabalhadores e empresa dentro de condições sadias favoráveis ao desempenhos das atividades.  De forma alguma estou desmerecendo o papel das estatais ou de seus trabalhadores. Como verão em trecho a seguir o dinheiro que passa pelas estatais é quem move a economia do PAC e não o dinheiro dos impostos.

“Segundo balanço recente dos três anos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado pelo governo federal para coordenar investimentos e medidas econômicas visando o crescimento, dos R$ 403,8 bilhões efetivamente desembolsados até 2009: R$ 137,5 bilhões (34%) referem-se a financiamentos habitacionais a pessoas físicas, R$ 126,3 bilhões (31%) em investimentos das empresas estatais, R$ 88,8 bilhões (22%) em investimentos das empresas privadas, R$ 35 bilhões do orçamento da União (8,7%), R$ 11,1 bilhão (2,7%) como contrapartida de Estados e Municípios e R$ 5,1 bilhões (1.3%) como financiamento ao setor público (Júnior, 2010). Em 2009, a Caixa Econômica Federal, empresa estatal federal, realizou R$ 47 bilhões em operação de crédito imobiliário, valor que representa 71% de todo financiamento imobiliário do mercado, e aumento de 102% em relação ao resultado obtido pela empresa em 2008 (Quintão, 2010). Verifica-se, portanto, a contribuição fundamental desempenhada pelas empresas estatais no PAC, especialmente se comparado com os recursos desembolsados diretamente pela União (8,7%), naquele que é uma das principais plataformas do governo para promover a sua sucessão nas eleições de 2010.” 

Então vai a pergunta de sempre. Se somos tão importantes porque não temos sido valorizados? Posso responder com toda convicção do mundo que a ECT tem um gravíssimo problema de ainda não ter dito aos seus trabalhadores qual será o futuro destes como profissionais individuais dentro de um corpo coletivo. Escutamos muito sobre o futuro 2020 da empresa como entidade estatal importante e moderna, sabe-se que a discussão sobre PCCS tem seguido mas me assusta ver um enfoque mais nos negócios do que na melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores. Parece até que a ECT quer colocar a todos dentro um contexto onde seus colaboradores já ganham aquilo que é justo e merecido. Onde todos já vivem felizes. Mas, como já disse, lá na discussão de PCCS e no ACT são os lugares para definir o salário e não na PLR. É importantíssimo frisar o papel dos sindicatos nessa história como agente de inspeção e proposição em cima do que é proposto pela direção da ECT com mobilização dos trabalhadores caso se faça necessária mais pressão. O conceito absurdo de que negociar com a empresa é ruim foge completamente a responsabilidade do sindicalismo onde na prática os sindicatos que não fazem este papel de negociação acabam vivendo de fofocas nos corredores da ECT. Duro isso?? Não, é a mais pura realidade! Isso quando não passam a viver de futurologia! Tem dirigente sindical que mais parece cartomante. E o pior é que só erra nas previsões!

PLR pode ser paga do jeito que a ECT quiser?


A resposta é não, mas ela tem feito mesmo assim por falta de pressão e interesse da sociedade (principalmente dos trabalhadores) em se opor a isso. Inclusive é bom lembrar que a lei que fala sobre a PLR, a CCE 9 e 10, não são inflexíveis. Pelo contrário, como já citei no texto o ministério do planejamento, o secretário executivo do MP e quiçá o próprio ministério ao qual a estatal está vinculado (comunicações), podem flexibilizar essas regras e limitações. Ressalta-se que a PLR tem como objetivo estimular a produtividade, qualidade e lucratividade onde a qualidade não caminha exatamente junta da lucratividade quando não estamos em mercado aberto e sim seguindo políticas e diretrizes públicas, determinadas pelo governo federal. Os preços de nossos produtos por exemplo estão congelados e todos sabem que a ECT oferece muitos serviços a sociedade mesmo tendo com isso prejuízo econômico. Atender ao povo com qualidade se tornou imperativo de tempos para cá. Um trecho de uma entrevista sobre flexibilização das norma de PLR.
Até hoje esse assunto da flexibilização é extremamente espinhoso no DEST. Há receio de um efeito manada onde todos queiram flexibilização dos limites a serem distribuídos na PLR sem que isso gere maior entrega de capital aos acionistas (governo federal). Inclusive, para limitar essas questões que a CCE 10 foi criada.
Temos então um problema real e prático em mãos. Como desenvolver um programa justo de PLR em nosso setor postal estatal? E sim, pra mim fica claro que este é um caso que precisa de flexibilização das normas de PLR sendo realizadas pelas peculiaridades da empresa e do setor postal no momento atual.

Mas afinal de contas a proposta é boa ou ruim?


Não tenho a pretensão de agradar grupo específico algum. Vou principiar inclusive por uma frase que vai gerar nojo em muita gente.

DENTRO DOS CRITÉRIOS ESTUDADOS NA ADMINISTRAÇÃO A PROPOSTA É MUITO BOA!

Sim, a proposta apresentada pela ECT tanto para o ano de 2013 quanto para o ano de 2014 são excelentes, possíveis de melhorias mas pautadas no objetivo de uma PLR. Peca cruelmente quando coloca em segundo lugar na ordem de prioridade a lucratividade ao invés da qualidade (o primeiro critério é a produtividade) pois o setor postal em subsídio cruzado dentro da uma estatal com forte responsabilidade social não tem como ser lucrativa se comparado ao setor privado pois tem de seguir políticas públicas voltadas a subsidiar o povo. Outro ponto importante é que dentro de um cenário onde TODOS TENHAM CONDIÇÕES DE ALCANÇAR AS METAS se destinar parte do dinheiro previsto para a PLR de volta ao lucro quando a meta não é cumprida não é justo. Acredito que no mínimo seja imoral, se não for ilegal, pegar um dinheiro que está previsto a ser entregue em PLR e devolver ao lucro. O normal é que os funcionários que superaram a meta dividam o dinheiro que não foi pago aos que não alcançaram, como bônus por desempenho acima do previsto (desde que em iguais condições de trabalho). Diferente de tudo que já foi escrito aqui sobre PLR, é interessante salientar que a ECT abriu mão dos critérios envolvendo assiduidade e nota individual (GCR), o que é mal visto pelos teóricos mas muito bem aceito quando queremos gerar uma cultura do trabalho em equipe.

Já é possível notar que praticamente todos os funcionários vão receber PLR (não há exclusão por faltas ou GCR ruim) e no quesito sindical isso é ótimo (elegibilidade). Já nos valores a serem distribuídos e forma como vai ser distribuído as sugestões aqui expressas (principalmente a flexibilização de valores) serão assuntos importantes a serem tratados nos órgãos pertinentes por empresa e sindicatos. O pagamento linear é sempre solicitado pelas entidades sindicais e quando a empresa tiver um padrão coerente, nacional e atuar como uma imensa unidade de produção coesa é completamente possível se ter uma PLR linear. Sendo bem franco, enquanto houver problemas graves de setores diferentes terem mais recursos para desenvolver atividades e os trabalhadores como pessoas tiverem o nível atual de cooperativismo fica difícil justificar a linearidade total. O trabalhador tendo um senso de trabalho coletivo maior ajuda a todos, empresa e até sindicatos com essa cultura de equipe. Mas hoje não temos o mínimo que é um corpo de chefias que detenham confiança e respeito dos seus liderados.

E porque os sindicatos serão contra?


Pelo mesmo motivo: por enfocar em produtividade, com isso levando a concorrência entre os trabalhadores, pressão e assédio elevado realizados por chefes despreparados além dos baixos valores propostos como pagamento. Um fator muito bom é o limite de até 5 vezes do maior para o menor pagamento mas não existe muita chance dos sindicatos defenderem critérios que englobem produtividade, preferindo muito mais discutir qualidade incentivada por PLR.
Notemos inclusive que essa situação não é nova no tocantes aos baixos valores. Logo após a assinatura do acordo Bianual, ainda tendo o Carlos Henrique Custódio na presidência e o Pedro Bifáno como VIGEP vimos a empresa ter um lucro abaixo dos 150 milhões e um bom pagamento de PLR. Reforço que no quesito valores essa flexibilização pode e deve ser utilizada para este ano, até porque ter uma PLR paga focando produtividade com valores tão baixo sugere que a ECT vai de mal a pior. 

No quadro distribuído aos sindicatos quase NENHUMA DR alcançou a meta para o ano passado. Meta essa que não é discutida com os trabalhadores, é fiscalizada somente pela empresa (ninguém queira me dizer que órgãos externos fiscalizam porque há documentação pendente de antes de 2010 ainda) e ainda por cima cria péssima imagem de nós trabalhadores que ficamos parecendo incompetentes. 

Um imenso trunfo da proposta 2014 por exemplo é a possibilidade de discutir as metas de produção de cada unidade pois a ECT se dispõem a pagar a PLR observando a situação real de cada local de trabalho. Mas sem ser delimitada como vai ser a participação dos trabalhadores discutindo isso e dos sindicatos se torna letra morta. Vão abrir o SGDO para os trabalhadores? Vão permitir analisar dados do SARA e do SRO? Os trabalhadores serão só comunicados do que a ECT vai dizer como meta ou vão poder ter poder de veto quanto a absurdos?

Até hoje, os sindicatos tem sido tratados como órgãos consultivos quanto as políticas da ECT e esta escolhe como executa seus projetos da forma que quer. Se for ampliado no local de trabalho o poder dos trabalhadores para discutir e mandar na forma de produção com as metas OK. Essa proposta atual de PLR não regulamenta isso, somente faz previsão genérica da possibilidade deste poder mas não deixa escrito o preto no branco.

Tá acabando (conclusão)


Concluo então advertindo que é normal no país todo o mal uso de PLR vindo a criar mais problemas com assédio, competitividade nociva e perda do foco social da empresa. Normal mas não é o desejado! Se a PLR não for bem discutida tenda a se transformar em um problema muito maior do que uma solução. Pagamento de PLR não é brincadeira e muito menos simples. É muito melhor se chegar a um bom acordo que valorize o incentivo a qualidade dos trabalhos, seguido de incentivo a produção e por avaliando o lucro. Além disso, se a intenção é criar uma cultura de trabalho coletivo então a empresa tem de dar mais poder aos seus trabalhadores e condições de trabalho reais. Uma das piores coisas a se lidar dentro de uma programa de PLR são informações falsas, costumeiramente colocadas por péssimos gestores que implodem a empresa em um futuro a médio prazo. Então sugiro lutar por um abono ainda com melhores regras de PLR. Se foi possível após o bianual o pagamento de valores flexibilizados então deve ser possível o mesmo este ano.
Wilson Araujo

sábado, 10 de maio de 2014

SINTECT-PE SAI NA FRENTE


Pessoal,alguns "INGÊNUOS"andam dizendo por aí que a justiça de Pernambuco deu 15 dias à ECT para que esta corrija algum desconto que tenha feito nos TICKETs dos trabalhadores ECETISTAS daquele estado.

Pois bem,a verdade é que a justiça pernambucana deu 5,e não 15,cinco dias para que a ECT DEVOLVA,caso tenha descontado,os valores dos tickets dos trabalhadores pernambucanos.

VALEU SINTECT-PE,PARABÉNS.Aqui,assim como vários outros SINTECTs estamos esperando os descontos primeiro para então reclamarmos o direito.É o que temos que aguentar !! 




SINTECT-PE GANHAR LIMINAR PARA DEVOLUÇÃO DOS VALES ALIMENTAÇÃO/REFEIÇÃO, A EMPRESA TEM CINCO DIAS PARA DEVOLVER, DEPOIS DE NOTIFICADA, CASO NÃO CUMPRA A DECISÃO, PAGARA UMA MULTA DIÁRIA DE 100,OO (CEM REAIS) POR TRABALHADOR, SOBRE A DEVOLUÇÃO DAS GRATIFICAÇÕES,ADICIONAIS E ANUÊNIO.

O JUIZ ENTENDEU QUE NO PERÍODO DE GREVE O CONTRATO DE TRABALHO É SUSPENSO, E COMO O TRABALHADOR NÃO EXERCEU SUA FUNÇÃO A EMPRESA PODERIA SIM DESCONTAR, MAIS A ASSESSORIA JURÍDICA DO SINTECT-PE JÁ ESTA PREPARADA PARA ENTRAR COM MANDATO DE SEGURANÇA PARA GARANTIR A DEVOLUÇÃO, JA OBTIVEMOS A PRIMEIRA VITORIA, AGORA VAMOS PRA CIMA DA EMPRESA BUSCA NOSSOS DESCONTOS INDEVIDOS. 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

SINTECT-PE sai na frente e impede descontos nos TICKETs

Companheiros e Companheiras,



A FENTECT ingressou com os Embargos ao TST nessa última sexta-feira (04.04), reafirmando que não temos acordo com o julgamento do dissídio que ocorreu no dia 12/03/2014 que ao nosso ver foi totalmente político. 


Segue abaixo o resumo dos principais pedidos que serão revistos pelo TST e caso o tribunal permaneça com a mesma posição do dia 12/03, será encaminhado recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF). Essa luta não acabou e está longe de acabar...VAMOS QUE VAMOS: 

1º - NÃO ABUSIVIDADE DA GREVE ( A greve transcorreu por 41 (quarenta e um dias) de forma legal e não abusiva, somente no dia do julgamento houve a "mudança" do ministro relator que a "julgou ilegal");

2º - A CLAUSULA 11 FOI ALTERADA PELO PRÓPRIO TST, PORTANTO TEM QUE SER REVISTO O TEXTO (A ECT tem que manter o plano e não uma empresa terceirizada);
3º - PAGAMENTO DA GREVE SÓ DE SEGUNDA A SEXTA, RESPEITO REPOUSOS E INTERVALOS (Já garantido pelo próprio TST);

4º - DIAS DE GREVE NÃO PODERÁ SER DESCONTADO EM SALÁRIO E SIM PAGAMENTO EM BANCO DE HORAS (Posição do Supremo Tribunal Federal - STF);
5º- JULGAMENTO DO TST AGRIDE A DIGNIDADE HUMANA (50% dos salários descontados, que já é muito baixo, vai contra as garantias Constitucionais (sobrevivência)).
(...)

Quanto ao julgamento sobre o "mérito" de alteração do nosso plano de saúde para o Postal Saúde ocorrido no dia de ontem (08.04) a Juíza que substituiu o "titular" da pasta que já havia adiado o julgamento por 5 (cinco) vezes, entendeu haver necessidade de reabertura de prazo para que as partes (FENTECT e ECT) apresente aos autos do processo novas provas e deu até o dia 18/05 para ser realizado esse procedimento, com julgamento final estipulado para o dia 22/05.

Nós do SINTECT/PE estamos levantando um dossiê, com a contribuição fundamental de alguns especialistas da área, para ajudarmos a aumentar as provas documentais que a "Postal Saúde" não se trata de uma "caixa de assistência", mas sim de um processo de "desvio de recursos públicos para a iniciativa privada", com a consequente retirada de direitos/benefícios dos mais de 300 mil dependentes do CorreiosSaúde. No seu devido momento estaremos divulgando o material que está em posse da direção do SINTECT/PE e de outros ativistas do movimento.
SÓ A LUTA MUDA A VIDA, ENTÃO NÃO PAREMOS DE LUTAR!

terça-feira, 6 de maio de 2014

POSTALIS...,MAIS UM CAPÍTULO...

Alexandre Rodrigues (Email)
Publicado:
Atualizado:
RIO - Desde o início do 1º governo Lula, em 2003, PT e PMDB disputam o controle do Postalis, o fundo de pensão dos funcionários dos Correios. Cada partido indica dois dos quatro nomes da diretoria executiva da entidade, embora formalmente essa seja uma atribuição da patrocinadora do fundo, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). No entanto, o acordo começou a fazer água no governo Dilma, com a chegada do economista Wagner Pinheiro à presidência da ECT.

Pinheiro é um dos ex-dirigentes de sindicatos de bancários de São Paulo ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço sindical do PT, que passou a indicar nomes para ocupar cargos em fundos de pensão de estatais no governo Lula. Entre 2003 e 2010, ele foi presidente da Petros, a fundação de previdência complementar dos funcionários da Petrobras, a segunda maior do país.

Com um patrimônio de R$ 68 bilhões, só fica atrás da Previ, dos empregados do Banco do Brasil. Pinheiro foi escolhido pelo atual ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, para dirigir os Correios ainda na transição entre os governos Lula e Dilma. A estatal, mergulhada em dificuldades operacionais, era um foco de escândalos de corrupção. Com o comando da ECT, o PT resolveu também controlar o Postalis, abrindo uma disputa com os indicados do PMDB.

Em abril de 2012, Pinheiro conseguiu indicar Antônio Carlos Conquista para a presidência do Postalis. Ele foi chefe de gabinete de Pinheiro na Petros, entre 2003 e 2007, e gerente de administração da fundação até 2009. Em 2010, Conquista ocupou a diretoria executiva da Fundação de Seguridade Social (Geap), uma entidade de autogestão de planos de saúde para servidores federais que chegou a sofrer uma intervenção da Agência Nacional de Saúde (ANS) no ano passado, por causa de um déficit de cerca de R$ 250 milhões.

Nos dois anos seguintes, ele ocupou uma secretaria no Ministério da Pesca. A indicação de Conquista para substituir Alexej Predtechensky, indicado do PMDB que ficou seis anos à frente do Postalis, significou um passo de Pinheiro em direção ao controle do fundo pelo PT, mas ainda sem a cobiçada diretoria de Investimentos, sob domínio do PMDB.

Numa estratégia similar à usada pela Petrobras na Petros, revelada pelo GLOBO no último domingo, a direção dos Correios passou a contar com o apoio de sindicalistas para dominar a pauta do conselho deliberativo do Postalis, que nomeia a diretoria e referenda as principais decisões.

O colegiado tem seis conselheiros: três indicados pela patrocinadora, a ECT, e três eleitos pelos funcionários. Pelo menos dois integrantes de uma corrente petista da Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios (Fentect) que foram eleitos conselheiros passaram a votar com os indicados: José Rivaldo da Silva e Manoel Santana, que mantêm cargos na diretoria da Fentect apesar de terem perdido o controle da federação.

Ernani de Souza Coelho, presidente do conselho deliberativo por indicação da ECT, também é um nome do PT. Funcionário aposentado da estatal, ele é marido da ex-senadora Fátima Cleide, do PT de Rondônia, e contratado como assessor da presidência dos Correios. Cargo similar tem outro indicado para o conselho, o ex-secretário-geral da Fentect, Manoel Cantoara.

- O estatuto do Postalis proíbe que conselheiro tenha função na patrocinadora ou em entidades representativas de empregados, mas isso é descumprido solenemente - diz Luiz Alberto Barreto, presidente licenciado da Associação dos Profissionais dos Correios (Adcap), que foi à Justiça contra a composição do conselho. - O avanço político sobre o Postalis é evidente, fácil de ver.

Para Barreto, não é por acaso que investimentos controversos do Postalis sejam repetidos pela Petros. É o caso de títulos do banco BVA, que quebrou no ano passado, ou das debêntures de R$ 75 milhões do Grupo Galileo, da Universidade Gama Filho, fechada pelo Ministério da Educação mergulhada em dívidas. Apenas Petros e Postalis compraram os papéis:
- O fundo teve déficit em 2011, 2012 e 2013. O medo dos funcionários, que agora contribuem mais, é que isso continue e comprometa as aposentadorias no futuro. É preciso desaparelhar tanto os Correios quanto o Postalis - afirmou.

A aliança de sindicalistas e indicados no conselho deliberativo foi usada em 2012 para tentar substituir o então diretor de Investimentos, Ricardo Oliveira Azevedo, indicação do PMDB assim como seu antecessor, Adilson Florêncio da Costa. Em novembro de 2012, denúncias de irregularidades na gestão de Azevedo chegaram à imprensa e à Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), que investigou e autuou o executivo. Foi o motivo encontrado pelo conselho deliberativo para votar a demissão dele.

Quando a votação caminhava para o fim, com quatro votos a favor da demissão, Ernani de Souza Coelho pediu vistas do processo. Ao ser retomada a sessão, um dos conselheiros eleitos mudou o seu voto, empatando o placar. Como o voto de desempate é do presidente, Coelho votou pela permanência de Azevedo, frustrando o plano. Segundo uma fonte, isso ocorreu porque o PMDB reagiu ao avanço do PT.

Uma negociação que teria sido conduzida pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, terminou com a indicação, em outubro de 2013,de um nome neutro, de perfil técnico, para a diretoria de Investimentos: o do economista André Motta, ex-diretor de Seguridade. Embora indicado pelo PMDB, ele se dedicaria a um plano de saneamento da instituição, numa espécie de trégua entre os dois partidos. O GLOBO procurou os sindicalistas da Fentect, mas não conseguiu localizá-los na entidade. A assessoria de Lobão não retornou o contato.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/sindicalistas-ajudam-pt-fazer-frente-ao-pmdb-com-maioria-no-conselho-da-postalis-12376001#ixzz30zPK8Feu

NOVO CAPITULO DO POSTALIS

Problema no Postalis tem a ver com investimentos temerários’, diz entidade de fundos de pensão

 
  Presidente de associação nacional de participantes lamenta crise no instituto de previdência dos funcionários dos Correios.
 
 RIO - A presidente da Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão (Anapar), Cláudia Muinhos Ricaldoni, lamentou a crise na qual o Postalis está mergulhado, mas diz acreditar que a nova diretoria do instituto de previdência dos funcionários dos Correios esteja empenhada em recuperar a imagem da fundação, que, segundo ela, foi prejudicada por conta de aplicações malfeitas da gestão anterior. Neste domingo, O GLOBO mostrou que a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) e a Comissão de Valores Mobiliários investigam fraudes e irregularidades na gestão do fundo, uma delas envolvendo uma negociação que teve como intermediador o doleiro Alberto Youssef, preso pela PF.

Como a Anapar tem acompanhado a crise no Postalis?

Com muita tristeza. A Previc fez um trabalho extenso e minucioso, no qual foi identificado alguns problemas nos investimentos, basicamente investimentos que descumpriram a legislação. Alguns limites legais de aplicação desse fundo de pensão foram ultrapassados, e isso o relatório da Previc diz com muita clareza.

Que tipo de limites?

Limite de aplicação em ações de determinada companhia, comprando mais do que a lei permite. Uma vez identificada essas ações, a Previc deu prazo para o Postalis tentar recompor a fundação. Embora eu ache que eles vão conseguir, isso certamente vai demorar, levando em consideração o nível de comprometimento de alguns investimentos.

E como eles podem se recuperar?

Eu sei que a diretoria que está lá agora tem feito um esforço sobre-humano para consertar essas questões pouco republicanas, vamos chamar assim.

Quais questões seriam essas?

Existe um problema no Postalis, que não tem a ver somente com o limite legal. Mas tem a ver com investimentos mais temerários, quando você expõe demais a entidade a risco, fazendo investimento em bancos de segunda linda. Você geralmente tem que fazer investimento em bancos de primeira linha, mais seguro. Postalis tem uma série de investimentos em bancos de segunda linha, como são chamados no mercado.


Você investiria no BNY Mellon, o banco que recebeu aporte de R$ 40 milhões do fundo intermediado pela gestora indicada pelo doleiro Alberto Youssef?
Eu não investiria lá, pois teria outras opções melhores de investimentos, na minha forma de pensar, que sou mais conservadora. Agora tem que ver o que levou o pessoal a fazer o investimento lá...


domingo, 4 de maio de 2014

POSTALIS,NA MIRA DA PF

Como funcionou o esquema que atinge o fundo de pensão Postalis

O terceiro maior fundo da modalidade no país teve influência do doleiro Alberto Youssef, que foi preso durante a Operação Lava-Jato, da Polícia Federal


sexta-feira, 2 de maio de 2014

FENTECT-CT/FEN-082/2014

Cotidiano estressante provoca síndrome de burnout

Demitida por justa causa em outubro de 2010, após dirigir expressão de baixo calão a um cliente, uma teleoperadora da Atento Brasil S.A. comprovou que sua reação foi causada pela síndrome de burnout, também chamada de síndrome do esgotamento profissional. Com isso, conseguiu reverter, na Justiça do Trabalho, a demissão em dispensa imotivada e receber indenização por danos morais em decorrência de doença ocupacional no valor de R$ 5 mil.

O processo foi julgado pela Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que negou provimento ao agravo de instrumento da Atento. A relatora do processo, ministra Kátia Magalhães Arruda, manteve o despacho do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (GO) que negou seguimento aos recursos de revista de ambas as partes. A teleoperadora tinha interposto recurso adesivo, pleiteando aumento da indenização para  R$ 15 mil, mas, como o recurso adesivo segue o resultado do principal, seu agravo foi julgado prejudicado.

Atendimentos desgastantes

O episódio que motivou a dispensa aconteceu durante um atendimento em que o cliente ficou irritado com o procedimento da empresa e tinha dificuldades em entender as explicações sobre as providências cabíveis. Na reclamação trabalhista, a teleoperadora juntou atestado médico concedido dias após o episódio, com diagnóstico de problema mental. Em juízo, a perícia técnica reconheceu a síndrome de burnout, com nexo de causalidade com o trabalho. Ao julgar o caso, o TRT-GO condenou a empresa a pagar indenização de R$ 5 mil por danos morais, salientando o cotidiano de trabalho demasiado estressante dos teleoperadores.

Entre os diversos fatores, citou cobrança de metas, contenção de emoções no atendimento e reclamações diárias de usuários agressivos. Diante desse cenário, sobretudo pela ausência de pausas após os atendimentos desgastantes em que havia agressões verbais, o Regional entendeu caracterizada a doença ocupacional e devida a indenização, por ofensa à integridade psíquica da trabalhadora, de quem empresa não citou problemas relativos ao histórico funcional.
A Atento, então, recorreu ao TST. Alegou, quanto à indenização, que a perícia não foi realizada no local de trabalho e que a concessão de pausas reconhecida pela própria operadora, não foi levada em conta para a decisão.

A ministra Kátia Arruda, ao fundamentar seu voto, destacou que o reexame das alegações da empresa de que não foram demonstrados os pressupostos para a configuração do dano moral demandaria nova análise das provas, o que é vedado pela Súmula 126 do TST.

Observou também que o fato de não ter havido perícia in loco "não modifica a conclusão do TRT sobre a constatação de dano moral, uma vez que a valorização das provas cabe ao juízo, o qual, segundo o princípio do livre convencimento motivado, decide sobre o direito postulado".

O que é a síndrome de burnout

De acordo com o laudo pericial que serviu de base à decisão, a síndrome de burnout "é um quadro no qual o indivíduo não consegue mais manter sua atividades habituais por total falta de energia". Entre os aspectos do ambiente de trabalho que contribuem para o quadro estão excesso de trabalho, recompensa insuficiente, altos níveis de exigência psicológica, baixos níveis de liberdade de decisão e de apoio social e estresse.

Os principais sintomas são a exaustão emocional, a despersonalização (reação negativa ou de insensibilidade em relação ao público que deveria receber seus serviços) e diminuição do envolvimento pessoal no trabalho. O quadro envolve ainda irritabilidade e alterações do humor, evoluindo para manifestações de agressividade, alteração do sono e perda do autocontrole emocional, entre outros aspectos.

Ainda segundo o laudo, estatisticamente a síndrome afeta principalmente profissionais da área de serviços. Os fatores determinantes do burnout podem ser classificados segundo a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID 10) como "problemas relacionados ao emprego e desemprego: ritmo de trabalho penoso" ou "circunstância relativa às condições de trabalho". No Brasil, o Regulamento da Previdência Social (Decreto 3048/1999), em seu Anexo II, cita a "Sensação de Estar Acabado" ("Síndrome de Burnout", "Síndrome do Esgotamento Profissional") como sinônimos.

(Lourdes Tavares e Carmem Feijó)